A Caverna - download pdf or read online

By José Saramago

Livro do escritor português José Saramago, A caverna (2000) disseca, através da história de pessoas comuns, o impacto destruidor da nova economia sobre as economias tradicionais e locais. Trata-se da história de uma família de oleiros que vê sua vida transformada com a chegada de um grande centro de compras à cidade.[1]
O próprio shopping mall pode ser fisicamente comparado a uma caverna, mas a história vai além dessa comparação e traça paralelos inclusive com o mito da caverna de platão e a questão dos simulacros.

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O conselho da vizinha Isaura Estudiosa, ou Isaura, sem mais, para abreviar, tinha sido sensato, razoável, flagrantemente apropriado à situação, e, se viesse a ser aplicado ao funcionamento geral do mundo, não haveria qualquer dificuldade em enquadrá-lo no plano de uma ordem de coisas a que pouco faltaria para ser considerada perfeita. O lado admirável de tudo isto, porém, foi o facto de ela o ter expressado com a mais acabada das naturalidades, sem dar voltas à cabeça, como quem para dizer que dois e dois são quatro não precisa de gastar tempo a pensar, primeiro, que dois e um são três, e, depois, que três e outro são quatro, Isaura tem razão, acima de tudo tenho de respeitar o desejo do animal e a vontade que o transformou em acto.

Marta levantou-se e abraçou o pai, Desculpe-me, repetiu, Não tem importância, respondeu 38 o oleiro, estivéssemos nós menos infelizes, e não falaríamos desta maneira. Marta puxou um banco para junto do pai, sentou-se, e, agarrando-lhe a mão, começou a dizer, Tive uma ideia enquanto andou por aí a passear o cão, Explica-te, Vamos pôr de parte por agora a questão do Centro, isto é, a sua decisão de ir ou de não ir connosco, Acho bem, O assunto não é para amanhã nem para o mês que vem, quando chegar o momento o pai decidirá entre ir ou ficar, a vida é sua, Obrigado por me deixares respirar, enfim, Não deixo, Que mais temos ainda, Depois de o pai ter saído vim trabalhar para aqui, primeiro tinha ido dar uma vista de olhos ao depósito e lá reparei que havia falta de vasos pequenos para flores, vinha portanto disposta a fazer uns quantos, quando de repente, já com o barro em cima do torno, percebi até que ponto era absurdo continuar com este trabalho às cegas, Às cegas, porquê, Porque ninguém me encomendou vasos de flores pequenos ou grandes, porque ninguém aguarda impaciente que eu os termine para logo vir a correr comprá-los, e quando digo vasos de flores digo quaisquer das outras peças que fabricamos, grandes ou pequenas, úteis ou inúteis, Compreendo, mas mesmo assim teremos de estar preparados, Preparados para quê, Para quando as encomendas chegarem, E que faremos entretanto se as encomendas não chegarem, que faremos se o Centro deixar de comprar, vamos viver como, e de quê, deixamo-nos ficar à espera de que as amoras madurem e o Achado consiga caçar algum coelho inválido, Tu e o Marçal não terão esse problema, Pai, combinámos que não se falaria do Centro, De acordo, segue para diante, Ora bem, supondo que um milagre leve o Centro a emendar a mão, coisa em que não acredito, nem o pai se não quiser enganar-se a si mesmo, por quanto tempo iríamos estar aqui de braços cruzados ou a fabricar louças sem saber para quê nem para quem, Na situação em que nos encontramos, não vejo que mais se possa fazer, Tenho uma opinião diferente, E que opinião diferente é essa, que mírifica ideia te ocorreu, Que fabriquemos outras coisas, Se o Centro vai deixar de comprar-nos umas, é mais do que duvidoso que queira comprar outras, Talvez não, talvez talvez, De que me estás a falar, mulher, De que deveríamos pôr-nos a fabricar bonecos, Bonecos, exclamou Cipriano Algor em tom de escandalizada surpresa, bonecos, nunca ouvi uma ideia mais disparatada, Sim, senhor meu pai, bonecos, estatuetas, manipanços, monos, bugigangos, sempre-em-pés, chame-lhes como quiser, mas não comece já a dizer que é disparate sem esperar pelo resultado dele, Falas como se tivesses a certeza de que o Centro te vai comprar essa bonecagem, Não tenho a certeza de nada, salvo que não podemos continuar aqui parados, à espera de que o mundo nos caia em cima, Sobre mim já caiu, Tudo o que cair sobre si, sobre mim cai, ajude-me, que eu o ajudarei, Depois de tanto tempo a trabalhar em louças, devo ter perdido a mão de modelar, O mesmo direi eu, mas se o nosso cão se perdeu para poder ser achado, como 39 inteligentemente explicou a Isaura Estudiosa, também estas nossas mãos perdidas, a sua e a minha, poderão, quem sabe, voltar a ser achadas pelo barro, É uma aventura que vai acabar mal, Também acabou mal o que não era aventura.

Ergueu-se todo sobre as altas pernas, abanando a cauda com força, como se agitasse uma vergasta, e, pela primeira vez desde que aqui viera pedir asilo, Achado ladrou, Cipriano Algor conduziu devagar a furgoneta na direcção da amoreira-preta e parou a pouca distância da casota. Julgava ter compreendido o que o Achado queria. Abriu e manteve aberta a porta do outro lado, e, antes de ter tempo para o 33 convidar a passeio, já o cão estava dentro. Não tinha Cipriano Algor pensado em levá-lo consigo, a sua intenção era apenas ir de morador em morador perguntando se conheciam um cão assim assim, com este pêlo e esta figura, com esta gravata e estas virtudes morais, e enquanto estivesse a descrever-lhe as diversas características rogaria a todos os santos do céu e a todos os demónios da terra que, por favor, às boas ou às más, obrigasse o interrogado a responder que nunca em vida sua semelhante bicho lhe pertencera ou dele tivera a menor notícia.

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A Caverna by José Saramago


by Jeff
4.2

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